Caro Marcelo
Guimarães Filho,
Não simpatizo com
textos presunçosos que querem ser porta voz de torcida, mas hoje caio na
armadilha e digo o seguinte: o torcedor quer acreditar em você.
O torcedor quer
acreditar que seus palavrões de resposta em redes sociais não foram um descontrole inadmissível e constrangedor pra quem ocupa a presidência de um
clube grande. Ele quer acreditar que foi uma reação inaceitável, mas de um
torcedor cuja paixão ainda desconhece limites, e que vai melhorar com o tempo.
O torcedor quer
acreditar que a falta de reforços de peso não é por incompetência da diretoria na
busca por brasileiros interessantes que pipocam mundo afora, em ligas e com
salários menores. O torcedor quer acreditar que todos eles foram procurados e recusaram,
e que o senhor não quer povoar o clube com jogadores e técnicos decadentes, nem com jogadores de videogame, que só enchem o Bahia de dívidas e piadas.
O torcedor quer
acreditar que não só ele está errado em fazer uma petição pela sua saída, como
o do Vitória está errado em criar outra pela sua permanência. Porque embora tenha motivos pra indignação, ele também sabe
que o Bahia, graças à história, aos títulos, aos grandes nomes que por lá passaram, e
à torcida, é maior que qualquer jogador ou presidente que tenha passado por ou
venha a passar por lá.
Mas quem está lá
precisa honrar a história, os títulos, os grandes nomes que por lá passaram, e a
torcida. E quem está lá não passa confiança ao torcedor, que se sente com razão ao reclamar.
Por outro lado,
torcedor não quer razão. Ele a troca por títulos, por brio, pelo orgulho
de colocar a camisa e se sentir bem com ela.
O torcedor troca a razão pra ver o Bahia lá em cima, não importa com quem.
O torcedor troca a razão pra ver o Bahia lá em cima, não importa com quem.
Por isso, Marcelo
Guimarães Filho, e só por isso, o torcedor quer
acreditar. Confessa que não acredita, mas quer acreditar. Que o senhor vê algo que ninguém mais vê, e que vai reerguer o Bahia como o torcedor não espera.
Porque, no fundo, o torcedor só quer ver o Bahia bem, e nisso concordamos. Ou, pelo menos, queremos acreditar que
concordamos.
