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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O torcedor quer acreditar

Caro Marcelo Guimarães Filho,


Não simpatizo com textos presunçosos que querem ser porta voz de torcida, mas hoje caio na armadilha e digo o seguinte: o torcedor quer acreditar em você.

O torcedor quer acreditar que seus palavrões de resposta em redes sociais não foram um descontrole inadmissível e constrangedor pra quem ocupa a presidência de um clube grande. Ele quer acreditar que foi uma reação inaceitável, mas de um torcedor cuja paixão ainda desconhece limites, e que vai melhorar com o tempo.

O torcedor quer acreditar que a falta de reforços de peso não é por incompetência da diretoria na busca por brasileiros interessantes que pipocam mundo afora, em ligas e com salários menores. O torcedor quer acreditar que todos eles foram procurados e recusaram, e que o senhor não quer povoar o clube com jogadores e técnicos decadentes, nem com jogadores de videogame, que só enchem o Bahia de dívidas e piadas.

O torcedor quer acreditar que não só ele está errado em fazer uma petição pela sua saída, como o do Vitória está errado em criar outra pela sua permanência. Porque embora tenha motivos pra indignação, ele também sabe que o Bahia, graças à história, aos títulos, aos grandes nomes que por lá passaram, e à torcida, é maior que qualquer jogador ou presidente que tenha passado por ou venha a passar por lá.

Mas quem está lá precisa honrar a história, os títulos, os grandes nomes que por lá passaram, e a torcida. E quem está lá não passa confiança ao torcedor, que se sente com razão ao reclamar.

Por outro lado, torcedor não quer razão. Ele a troca por títulos, por brio, pelo orgulho de colocar a camisa e se sentir bem com ela.

O torcedor troca a razão pra ver o Bahia lá em cima, não importa com quem.


Por isso, Marcelo Guimarães Filho, e só por isso, o torcedor quer acreditar. Confessa que não acredita, mas quer acreditar. Que o senhor vê algo que ninguém mais vê, e que vai reerguer o Bahia como o torcedor não espera.

Porque, no fundo, o torcedor só quer ver o Bahia bem, e nisso concordamos. Ou, pelo menos, queremos acreditar que concordamos.