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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

E ano que vem?

E o Bahia se safou.

Uma avaliação é que o time só se livrou com um gol aos 43 do segundo tempo na última rodada, e a outra é que terminou seis pontos à frente do mais bem colocado entre os rebaixados.

Ambas são válidas. Dia desses li esse dessa, que também escolhe um lado para discorrer sobre, que é o da mediocridade, mas que me parece pecar na contextualização.

Para falar do Bahia de hoje, a gente tem que levar em conta não só os feitos fantásticos de 1959 e 1988, mas a tragédia que o time protagonizou do final dos anos 90 até o fim dos anos 2000.

Desde sua fundação em 1931, o Bahia nunca tinha ficado mais de cinco anos sem ganhar o Campeonato Baiano. De 2001 a 2012, foram 11.

Até 1997, o tricolor tinha jogado a segunda divisão apenas em 1981, quando o campeonato nacional ainda era uma confusão de regulamentos ano após ano. Já de 1998 a 2010, só esteve na elite de 2000 a 2003, com direito a passagem pela série C em 2006 e 2007.

Há cinco anos, o Bahia não só estava há outros cinco sem o título estadual, jejum que viria se alongar por mais seis, como também estava na Série C. Hoje, o time tem em Gabriel uma das grandes promessas do futebol brasileiro, chegou às quartas-de-final da Copa do Brasil, é o atual campeão baiano, e está na Série A, onde fez a quinta melhor campanha quinta melhor campanha do segundo turno.

Lógico que é necessário reconhecer os problemas. Do caminhão de reforços que desembarcou no Fazendão, só Neto virou titular. E de quem está no clube desde o início do ano ou antes, além de Lomba, Hélder, Gabriel e Souza, quem mais é indispensável?

Um consolo é a base. Em 2012 o Esquadrãozinho chegou à semifinal da Copa do Brasil sub-20, onde eliminou e venceu o Santos dentro da Vila Belmiro. Anderson Talisca é a pérola, mas não é o único que pode subir aos poucos.

A paciência e o cuidado que o clube deve ter com esses meninos deve ser a mesma que deve ter na hora de contratar e de planejar o porvir. Como o Bahia só começa o estadual no meio de março, diferente de quase todo o resto do país, é possível fazer uma pré-temporada decente e ter um 2013 melhor ainda.

Sem usar o passado longínquo como muleta, e sim como busca de respeito e motivação para quem quiser jogar. Mas também sem esquecer dos anos 2000, quando o Bahia fez um esforço hercúleo para ficar pequeno.

Que a diretoria tenha aprendido com os erros daquela época, e que aprenda com os deste ano, para que 2013, como 2012, termine melhor do que começou. Assim, em breve o time pode voltar a ser do tamanho do clube. A distância entre os dois já foi bem maior.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Pela "Árvore de Natal"

Contra o Náutico, o Bahia não pode contar com a sorte de novo.

Neto está suspenso. Titi, Danny Morais (ou Lucas Fonseca) e Jussandro voltam ao time. De uma partida para a outra, provavelmente, Jorginho não vai trocar um ou dois nomes, mas a defesa inteira.

A menos que a mudança seja para poupar nomes, o que definitivamente não é o caso, isso não faz bem a time nenhum. Mas uma maior proteção ao remendado sistema defensivo pode fazer bem a quem tem decidido.
Primeiro, Hélder. Principalmente no segundo turno, passou a ser um perigo também para o adversário. Chuta forte e, quando não faz gol (Figueirense, Sport, Botafogo), dá o passe (Ponte Preta) ou participa (Portuguesa). É o volante que mais avança não (só) por características, mas por ser quem mais tem dado certo com a bola no pé da intermediária pra frente.

Depois, Gabriel. Alguém lembra como foram os últimos gols dele? Pelo meio, quando ou teve ângulo para bater de chapa (Santos e São Paulo), o que ele faz como ninguém no ataque, ou espaço para chegar na área (Grêmio). Embora não esteja tão decisivo, continua preciso em passes e é, junto com Hélder, o principal comparsa de Souza.

Os outros?

Para nem cogitar Mancini, que contra o Cruzeiro provou de vez que não é digno de vestir a camisa do Bahia, Lulinha, Zé Roberto, Jones Carioca, Ciro, Claudio Pitbull e Elias, quando jogaram, não convenceram que merecem a titularidade.

Em outras palavras, se a defesa não está grande coisa e gosta de laterais que avançam, e se ofensivamente o Bahia tem se limitado basicamente a três nomes, me parece claro que a “Árvore de Natal” é uma opção bem viável.

Na frente dos quatro atrás, três volantes, que seriam Fahel, Diones e outro (Fabinho? Kleberson? Victor Lemos?). Mais adiante, Gabriel e Hélder para, cada um com sua característica, desafogar Souza em gols e assistências.

Pelo 4-3-2-1, por uma festa antecipada em Pituaçu.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A trinca

O melhor do Bahia nessa sequência fantástica é a combinação de gana, seriedade e bola.

Aos 27 minutos do segundo tempo, e não falamos de falta ou escanteio, são cinco (cinco!) homens dentro da área, mais um lateral na ponta-esquerda. Todo mundo potencialmente cansado, mas sem perder o ímpeto, no abafa.

Apesar de certa inconsequência, já que contra-ataque seria um Deus nos acuda, me agrada a vontade que o lance passou.

Atrás, Titi e Danny Morais (embora tenha falhado) estão cada vez mais entrosados e cientes de limitações, indispensáveis quando falta categoria. Graças também aos dois, tem acontecido o que há pouco tempo seria inacreditável. Lomba não entra na seleção de rodada e, ainda assim, o Bahia ganha.

E ganha também por causa de Neto e Jussandro, bons ofensivamente, e por causa de Hélder, Diones e Fahel, em sintonia que há tempos não se via.

Hoje o Bahia tem uma base definida, tem jogado melhor e, o mais chocante, tem até laterais jogando como laterais.

Depois de incontáveis erros, lesões e mudanças em excesso e que poucos entendiam, o time caminha certo. Que continue assim.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Respeito, pelo menos


Quando o assunto é a quantidade de títulos nacionais de primeira importância, o Bahia tem o mesmo número do Botafogo, e tem mais que o Atlético-MG. Sim, mais que o clube onde hoje atua um dos melhores jogadores que o mundo viu nos últimos anos.

Quando o assunto é torcida, partindo do pressuposto que ela é medida em estádio e não em Internet, só Galo, Corinthians, Flamengo e Santa Cruz atingem nível semelhante.

A real disputa do clube nunca foi, nem deveria voltar a ser, com o Vitória. Os anos 90 e 2000 são um gigantesco e inaceitável lapso que não pode ser repetido. Mas que a diretoria se esforça para buscar.

Sim, a culpa é mais da diretoria que dos outros. O elenco do Bahia tem quase 40 jogadores, quando um time que queira ser levado não pode ter mais de 30. Quem são os 40? Além das poucas e honrosas exceções, são atletas inexperientes ou decadentes, verdes ou podres.

Lógico que é difícil ter jogadores de qualidade, entre os 25 e os 27 anos no Brasil, mas não é difícil encontrar outros com 30 e que tenham mais ambição que os que estão lá.

O resultado vem com dinheiro, o que o Bahia consegue fácil com a história e a torcida que tem, mas também com planejamento e comprometimento. E se a base tem tido algum sucesso aparente, o que só podemos confirmar se houver continuidade e se nomes realmente vingarem, não dá para dizer que vejo, em quem chega, vontade de defender o clube.

Acabado o primeiro turno, o Bahia está fora da zona, principalmente, por incompetência alheia. Independente de gostar ou não de Guimarães ou Angioni, o Bahia de hoje está errado.

Grife não ganha jogo, não dá sangue. Para o segundo turno e para todo o sempre, menos contratações, menos gente no time. Mais investimento em preparação física e na base. Investimento em quem é Bahia, em quem é bom, em quem é profissional.

Três espécies em extinção no clube.

Ver o Atlético-GO tocar a bola o jogo inteiro, com um Bahia apático, em pleno Pituaçu, é um retrato negativo que não teve o efeito colateral possível.

É o que podemos comemorar. Com returno, e com volta gradual de lesionados, vamos ver se sobra motivo para celebração, no fim do ano.

Diretoria, técnico e elenco não vão melhorar até lá, mas todo mundo precisa ver o tamanho da instituição e da torcida que representam. Um mínimo de respeito, pelo menos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O trio e a dupla (ou ser e estar)

Depois da Ponte Preta, tem gente que considera as mudanças do Bahia não só responsáveis pela vitória como, num fabuloso delírio, o segredo para a Libertadores em 2013.

O lado positivo, logicamente, é saber que Alysson, Lucas Fonseca e Victor Lemos não fizeram a gente sentir saudade dos titulares Titi, Danny Morais e Fahel. Mas com os mesmos Titi e Danny Morais na zaga, o Bahia não tomou gol do Corinthians, não tomou gol do Palmeiras e passou 90 minutos sem tomar um gol legal do Grêmio, em pleno Olímpico.

Ontem a defesa foi ok, mas se manteve intacta também por causa de Lomba e da sorte. Embora Lucas Fonseca já tenha dado sinais de uma segurança acima da média na saída de bola, às vezes afrouxa na marcação, como aconteceu diante da Ponte e do Coritiba. A diferença é que, no jogo em Pituaçu, essas falhas resultaram em dois gols.

Não defendo a eterna manutenção de Titi, Danny Morais e Fahel. Só reitero que o Bahia não venceu só por causa das suspensões, nem perdia ou empatava por causa dos três.

No entanto, qualquer evolução, para ser consumada e ter continuidade, deve começar pela base. E Caio Júnior tem priorizado o acerto da defesa, no que tem tido sucesso se ponderarmos as peças que ele tem. Nos seis jogos sob seu comando, o Bahia tomou quatro gols. Marcou só cinco, mas em boa parte sem  Souza (quatro partidas) e Gabriel (três).

Ou seja, mais que defender a promoção imediata do trio que começou contra a Ponte, que se comemore o retorno da combinação que mais funciona na frente. Juntos, só ontem, poderiam ter três gols e duas assistências se, no início do segundo tempo, após ótimo jogada de G-8 e na marca de pênalti, Souza não tivesse chutado um tiro de meta.

A vantagem é que Lulinha entrou bem, exagero não fez falta e, erro do Caveirão à parte, sabemos que os ele e Gabriel não estão bons, mas são bons. Pelo menos para o Bahia atual.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Evolução em pontos

O foco do texto não é a indignação, mas a arbitragem do jogo no Olímpico atingiu o Olimpo da vergonha, e para quem achar mimimi de torcedor, aqui estão os vídeos e a opinião de Leonardo Gaciba.

Por outro lado, se é inevitável o misto de revolta com decepção, também é inegável que o time tem evoluído.

Na Copa do Brasil, Bahia e Grêmio fizeram dois jogos de um time só. Ontem, se alguém mereceu a vitória, não foi quem o apito ajudou.

Primeiro, Lomba tem precisado fazer cada vez menos milagres. As falhas acontecem, mas por limitações individuais. Não dá para cobrar a segurança de Thiago Silva em Titi, nem a genialidade de Messi em Júnior. Mas dá para cobrar treino, empenho e melhora. Se um deles não vier, muda.

Sobre as opções, com Diones na lateral, Fabinho no meio e três jogadores atrás de Zé Roberto, Mancini e Júnior, o time pouco sofreu. E mesmo sem os nomes ideais, se pensarmos na ausência de um lateral de ofício, de Gabriel e de Souza.

Com o retorno deles, a evolução deve ser transformada em pontos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Passar o problema para quem não resolve

Sobre Bahia e São Paulo, como estava num aniversário, vi menos do que gostaria, mas vamos lá.

Gil Bahia não é Daniel Alves, mas também não é Fabinho. Embora tenha começado no Cruzeiro, é de Salvador e tem 20 anos. A idade acusa o verde, mas também está ligada à ambição, o que falta a parte do elenco. E, na comparação com concorrentes, ele pelo menos é lateral. Vaias não ajudam.

Do outro lado, Ávine. Excelente jogador, desde que com volante ou zagueiro fixo para cobrir suas costas, já que sempre foi mais ala que lateral. Mas não está bem, o que é compreensível por longo tempo lesionado, e agora abriu a boca em entrevista coletiva.

Tenho receio de indiretas públicas a companheiros de equipe. Não sei o que exatamente se passa no Bahia, Ávine tem história, futebol e moral para falar do clube, mas será que ele não poderia lavar a roupa suja no vestiário, com os próprios jogadores? Deixar claro para a torcida e para a imprensa que alguns não estão comprometidos vai ajudar o time?

Externar problemas para quem não pode solucioná-los não me parece inteligente. Se é pessoal, que se resolva com o(s) outro(s). Dentro de campo, nos jogos e nos treinos, é com os jogadores. O apoio e a cobrança, na arquibancada, é com a torcida. E o papel da imprensa não é ajudar.

Ávine merece respeito. E, junto com Gabriel e Lomba, tem que assumir postura de líder. Tomara que suas declarações façam algum bem ao time.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Testar e poupar

O Bahia estreia quarta-feira (1º) na Copa Sul-Americana, contra o São Paulo, mas a prioridade deve ser o Campeonato Brasileiro, onde o time pode ter dois caminhos. Ou fica no meio da tabela, acima da 14ª posição do ano passado, ou luta contra o rebaixamento.

Hoje, o time briga para não cair. E precisa saber que a permanência na primeira divisão é mais importante que uma hipotética e muito improvável campanha vitoriosa na copinha da Conmebol.

O departamento médico está cada vez mais cheio, e o time tem cansado rápido. Contra o Corinthians, Zé Roberto pediu para sair, teve que ficar, e um ataque com potencial perigo, já no final do jogo, morreu graças a um cara esgotado. Além dele, Gil Bahia e Ávine mostraram precisar de descanso.

Com isso, o Bahia pode ir com uma base razoável, que mantenha uma unidade que Dorival espera, mas que não prejudique a continuidade do time e dos jogadores em período conturbado de um campeonato com mais quatro meses pela frente.

Mesmo que já esteja 100%, não acho que vale a pena colocar Gabriel desde o início.

Outra vantagem da Sul-Americana é que ele pode fazer testes em pelo menos dois jogos oficiais.

Três zagueiros e alas? Três volantes e dois pontas? Um volante e quatro meias?

É essa a hora de poupar, é essa hora dos testes e das invenções.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O inexplicável do bem

O inexplicável do bem está com o Bahia.

Primeiro, Zé Roberto. Jogou bem contra o Coritiba e foi o melhor em campo contra o Palmeiras, ao lado de Souza. Desonrou o apelido de Zé Boteco, e deixou a torcida do Bahia feliz.

Feliz também foi Magno, no excelente passe para o gol perdido pelo próprio Zé, antes dele se redimir com assistência para Souza. Uma trivela sutil, em um desses momentos que o futebol fica direto, simples e bonito. Sem firulas.

Além deles, tivemos a arbitragem. Não estamos acostumados a essa segurança, especialmente fora de casa e contra um grande. Lance de Fabinho me parece interpretativo, mas como a dúvida tende a favorecer o maior e o mandante, juiz foi corajoso. De resto, Lomba sofreu falta antes do gol de Obina, e o pênalti em Lulinha foi juvenil e inaceitável, mas aconteceu.

Bacana também foi o espírito de equipe. A comemoração de Titi, após o pênalti, soa bonita e sincera. Como aconteceu contra o Coritiba, Souza chama os caras depois de marcar, principalmente no segundo gol.

No final do jogo, Caio Júnior fez os jogadores saudarem os que foram apoiar a equipe. A torcida é o que mais pode incentivar o empenho de gente da idade e do nível de Kléberson, Zé Roberto e Mancini. É inexplicável e do bem.

Lógico que as falhas permanecem, principalmente no posicionamento defensivo, e ninguém pode se ater à sorte e ao resultado para mascarar um problema. Se ele não tiver solução, pode pelo menos ser diminuído, com treinamento e testes.

Que o inexplicável do bem permaneça por aqui, mas que a gente não dependa dele, por favor.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um ontem otimista

É frustrante para qualquer time fazer um 2x0 em casa no início do segundo tempo e ceder o empate, ainda mais na situação do Bahia, mas o jogo de ontem teve lá seus pontos positivos.

Vontade – Em boa parte do primeiro tempo o time marcou em cima do Coritiba, com Kleberson, Mancini, Zé Roberto e Souza na intermediária ofensiva, mesmo sem bola. No final do jogo, não senti falta de sangue no olho como em algumas partidas, e sim de uma pontaria melhor.

Opções – As lesões e as inconstâncias da maioria impedem que a gente diga o time titular do Bahia, o que dificulta a nem sempre necessária definição de reservas, mas ontem as opções funcionaram. Kleberson fez o cruzamento para o gol de Mancini, e dois dos mais questionados jogaram bem. Zé Roberto também deu uma assistência, e Ciro duas em potencial – uma para Diones, e outra espetacular para Souza.

Souza – Perdeu um gol feito, que seria o da vitória e da tranquilidade para Caio Júnior, e sabe disso. Mas foi participativo, iniciou a jogada do segundo gol, marcou o primeiro, e fez questão de juntar equipe em comemoração. Diferente do Souza que dá cotovelada (Botafogo) e piti (Flamengo), se mostrou um cara interessado no bem do Bahia. Só precisa acertar o pé quando na cara do gol.

Lucas Fonseca – Errou um passe perigoso logo no primeiro minuto de jogo, e afrouxou na marcação nos dois gols, especialmente no primeiro. Mas a falta de atenção pode estar ligada também à de ritmo, o que ninguém adquire no banco. Além de um carrinho salvador no primeiro tempo, foi seguro no geral e aumentou qualidade na saída de bola. Pode assumir a vaga de vez, se esperto.

Caio Júnior é bom, mas gosta de invencionices. Para um time em formação, talvez funcionem. Com ou sem elas, boa sorte a ele. E que Gabriel volte logo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sem Falcão, sem ninguém

Depois do texto de Calma, o Bahia perdeu para o Fluminense, 3º colocado e único invicto, e para o Flamengo, quando foi melhor e roubado. Ontem foram oito desfalques, incluindo aí o melhor da equipe, e a manutenção da tabela complicada. Na décima rodada, 70% dos adversários do Bahia estão na metade de cima da classificação.

Sem ouvir coletiva da tarde, acho que Falcão não deveria ter caído, mas acredito ser menos pior se decisão foi realmente conjunta, ou se ideia partiu do próprio técnico. O treinador que acompanha e escala, ele que deve motivar e estar motivado.

Até encontrar alguém interessante, e se ele vier, defendo a permanência de Eduardo Barroca. Salvo engano, ele está no clube desde início de 2011, já cumpriu função com saída de Renê Simões, e conhece os jovens, inclusive os brilharam na Copa São Paulo do ano passado.

Quem joga?
 
Titi e Danny Morais já funcionaram bem, mas hoje apenas se revezam no rendimento. Um falha hoje, o outro amanhã.

No meio e no ataque, o problema não é tanto a falta de opções, mas de um conjunto. Ainda longe do ideal, Kléberson evoluiu, mas Mancini precisa entender que ele faz parte de um grupo. Como equipe, piorar é difícil.

Dudu (92) na zaga, Lenine (91) no meio, Rafael (92) na frente. Não precisam ser titulares, nem jogar na mesma partida, mas são da base e precisam dar as caras. Especialmente quando o departamento médico tem mais gente que o coletivo.

Lomba; Fabinho, Dudu, Titi e Ávine; Diones e Fahel; Kleberson, Magno e Vander; Souza.
Omar; Danny Morais e Gerley; Helder, Ryder e Lulinha; Rafael.

Bora assim contra o Coritiba?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

36x9

O Bahia teve a melhor campanha da primeira fase no Brasileiro de 85, foi campeão em 88, e um dos grandes times da década, que teve no Flamengo o melhor dela. Mas ontem os dois mostraram, cada um à sua maneira, que parte de seus jogadores estão muito aquém do que as instituições merecem.

Pelo time do Rio, a comemoração de Ibson e Renato são constrangedoras, e não adianta dizer que uma comemoração é só uma comemoração, porque elas não se limitaram a isso.

Pode-se discutir cartão de Luiz Antonio que o levou à expulsão, mas não a falta, diferente do absurdo em cima de Ibson. Verdade que Fabinho foi inexplicavelmente atabalhoado e deveria ter pesadelos só pela possibilidade de ter feito um pênalti tão estúpido, mas pior que a simulação de Ibson foi sua vibração efusiva em lance tão desonesto.

O futebol nunca foi um poço de integridade, mas esses níveis apequenam o esporte, como apequena o time a comemoração de Renato.

Mancini puxou sua braçadeira e talvez tenha falado um caminhão de coisas, em atitude  que poderia ser substituída por chutes e passes mais precisos, logicamente. Mas a reação de Renato é típica de quem tem mais mimo que controle emocional, alguém que confunde entrega dentro do campo com ódio ao colega.

“Ah, mas Zidane já deu uma cabeçada em final de Copa do Mundo, Maradona já brincou de UFC”. Quando Renato ou Ibson tiverem o futebol de um dos dois, me avisem que vou querer ambos no Bahia.

O time

Falando nele, o maior problema do ataque foi, principalmente no segundo tempo, a limitação de Gabriel ao lado esquerdo. Defendi mudança da direita, mas prendê-lo no canto oposto é um desperdício equivalente. Apesar de partida pouco feliz, Mancini não se omitiu e pode ajudá-lo se em boa forma. Chilique no fim do jogo à parte, Souza lutou e não tentou o que não sabe, mas faltou aproximação e diálogo. Com volta de Elias, quem sabe?

Atrás, Lomba não fez nenhuma defesa difícil, Hélder fez uma boa partida, mas tivemos o desastre capital dos teoricamente mais seguros, Fabinho e Titi. Para o setor, a necessidade de talento é inversamente proporcional à de concentração, segurança e inteligência. Foi o que faltou aos dois nos momentos, e o que não pode se repetir. Mas aí vem a pergunta óbvia: vai colocar quem?

A base

No site do Bahia, constam 36 jogadores no elenco profissional. São 4 goleiros, 4 laterais, 5 zagueiros, 6 volantes, 9 meias (!) e 8 atacantes (!). Que poderiam formar um time com:

Lomba; Madson, Dudu, Titi e Ávine; Diones, Fahel e Lenine; Vander (Fábio) e Gabriel (Paulinho); Souza (Rafael).

Não defendo essa escalação hoje, que nem possível é, mas não deixa de ser um time ligado ao clube. Lomba, Titi, Diones, Fahel e Souza são titulares há mais de um ano, os outros nove (!) das divisões de base.

Principalmente para a defesa, experiência é importante, mas ela não vem necessariamente com idade, e sim com a prática. Por outro lado, para qualquer setor, especialmente quando não se tem o talento em abundância, o querer jogar tem que sobrepor o desejo de ser vendido e a vontade de voltar à sua terra, quando for o caso.

Para hoje e para o futuro, diretoria e jogadores precisam entender que 59, 88 e a torcida não vieram à toa. 36 é muito, nove da base não.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Calma

Gostaria de saber o que substituiu os neurônios de alguém que pede a cabeça de Falcão.

Com ele o Bahia teve a melhor campanha no Campeonato Baiano, com ele o Bahia foi campeão baiano, com ele acabou um jejum de 11 anos. Já se conseguiu o que era prioridade do ano para o técnico e para a torcida. No Brasileiro o time pena, está na zona de rebaixamento e o mais fácil é sempre culpar o treinador. Só que a culpa não é dele.

Em oito rodadas, o Bahia pegou cinco times que estão na metade de cima da tabela. Atlético-MG (1°), Vasco (3°), São Paulo (4°), Inter (5°) e Botafogo (7°). Nas outras  partidas, Sport (12°), Santos (14°) e Figueirense (15°). Não perdeu para nenhum dos três.

Artilheiro do time no ano, Souza só voltou contra o Botafogo, no último jogo. Ávine ainda não pareceu o jogador que pode ser. Mancini e Kleberson acabaram de chegar. Adversários complicados viram todos eles meia-boca, quando viram.

Sem eles, o time está onde pode estar, brigando para não cair. Oscilando partidas ruins com razoáveis, como as contra Vasco e - principalmente - Inter. Mas com a base que eles podem dar, tem potencial para se salvar bem.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um problema a menos?

O maior problema do Bahia é não ter quem desacelere o jogo.

Um cara que, se enxergar Júnior (ou até mesmo Souza) numa possível corrida contra um zagueiro, não vai tocar, por saber que ele não ganha em velocidade. Um cara que saiba olhar e tocar para trás e para o lado, onde pode encontrar alguém mais rápido, como Gabriel ou Ávine, e de frente para o gol.

O que Ricardinho foi raras vezes ano passado, o que pode ser Kleberson se contratado. Mas embora veja a chegada de Kleberson até com mais otimismo, eles foram muito mais do que são. Sem ligação com o clube e com 33 anos, dificilmente um atleta vai ter físico e comprometimento confiáveis.

No entanto, essa semana o time pode ter resolvido outro problema.

Desde que Souza se lesionou, fazer gol é um suplício. A Gabriel-dependência é nítida. Verdade que Mancini se enquadra em caso parecido com o de Kleberson, mas chuta de longe e quebra o galho dos dois lados. E Elias, embora contato tenha sido apenas por jogo contra o Sport, flashes de Resende e Youtube, é um atacante que mistura velocidade (que Souza e Júnior não têm) com razoável capacidade de finalização.

Podem não resolver, podem nem ser titulares, mas dão outras possibilidades. De reservas para Gabriel e para Souza, mas também de comparsas para eles. Mais do que, por exemplo, Júnior, Ciro, Jones e Zé Roberto.

(...) Kleberson (Fabinho) e Fahel (Lenine); Mancini (Magno/Morais), Gabriel (Vander) e Elias (Lulinha); Souza (Júnior/Rafael). Já estivemos pior.

Mas um zagueiro ainda é bem-vindo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Nosso Messi

Hoje, só três times podem ter Messi. O Barcelona, a Argentina e aquele que você controla no videogame ou no computador. Fora eles, ninguém. Por outro lado, quase todo time tem um Messi. O do Bahia é Gabriel. 

Ele é o cobrador de faltas, é o líder em assistências, é quem melhor bate na bola. E só não faz mais gols porque fica limitado ao lado direito.

Como vem de lá pro centro, nas poucas vezes em que ele tem ângulo pro chute, a bola tá no pé esquerdo, que não é o bom. Então ele finaliza pouco, fica fácil de ser marcado e deixa a equipe torta.

Com passe e visão que tem, pode distribuir o jogo pelo meio. Com liberdade, pode vir da esquerda para o centro, ficar de frente para o gol e chutar com o peito de pé ou de chapa. Como ele gosta, mas como só pode fazer para cruzar, se reduzido à direita. Para onde ele continuaria podendo ir, quando necessário, para fazer os cruzamentos de gênio. Só que sem se limitar a isso.

Na prática, um meia-atacante com liberdade para se movimentar de um lado a outro, entre volantes e atacante(s).

Em resumo, ideia é pegar quem tem o maior potencial e tentar ir além, para melhorar o jogador e aumentar as opções que ele dá ao time. Que cresce com ele.

Foi o que Guardiola fez com Messi, que deixou de ser um ponta-direita questionado por “uma jogada só” para ser, indiscutivelmente, um dos maiores da história. Gabriel não é Messi, mas reconhecendo o tamanho de cada um, e a importância do nosso para a equipe, podemos tentar fazer a mesma coisa com ele.

Ps: A intenção não é fazer Gabriel achar que é Deus. Mas ele, Falcão e equipe devem estar cientes de quem é "o cara" do clube hoje. E embora não faça milagre, ele e o time podem evoluir.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O blog

As duas interpretações são válidas para "o Bahia que importa".

A ideia é falar do Bahia que me interessa, mas também deixar claro que, no fim das contas, o Bahia que é o essencial.

Porque o time tem que voltar a ser grande, como a história e a torcida do clube nunca deixaram de ser.

(Investimento na parte visual vai chegar quando o tempo aparecer).


Ps: Se você lê este post hoje, já sabe que blog foi rebatizado. Felizmente, embora raciocínio se mantenha.