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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Morte e vida em 17 de maio

Time tem jogado até bem, mas o assunto hoje é retroativo e atual, o fora de campo.

Estava na Fonte Nova no dia do Bahia da Torcida.

Óbvio que muita gente, ao invés de ajudar, quer aproveitar a força que tem a maior instituição esportiva do nordeste, mas uma prova de que isso não será fácil veio quando a equipe de um programa sensacionalista apareceu no estádio. Vários vídeos mostram o momento, mas só quem esteve lá pode dizer quão assustador foi.

Não lembro quem estava no palco se dirigindo à torcida, mas em coisa de 10 ou 15 segundos, cinco mil pessoas ignoraram microfones, ignoraram aqueles que os convocaram ali, e direcionaram sua raiva a um grupo de no máximo cinco pessoas, ali representando uma persona non grata, pra dizer o mínimo.

Um momento de revolta, cheio de paixão e rancor, espontâneo e incontrolável.

Depois desse e de tudo que aconteceu ali, saí com a impressão renovada de que o Bahia poderia ser um misto de Green Bay Packers e Nápoli. Um time que representa parte menos abonada e mais apaixonada pelo futebol, com coragem, respeito e história pra disputar com gigantes, junto com uma equipe que é controlada por seus torcedores.

É possível que exista aí uma dose de divagação e utopia. Mas não importa quão oportunista o cara seja, não importa quão ditador o cara seja, o Bahia está longe de ser o caminho mais tranquilo para um escroque que sonhe em usar sua presidência como trampolim.

E a título de curiosidade, o 17 de maio de 2013, o dia do Bahia da Torcida, marcou também o dia da morte daquele que talvez tenha sido o maior tirano que a América conheceu no século XX, o General Videla.

Pode ser só uma coincidência, mas é uma coincidência que depõe a favor da gente.

 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O torcedor quer acreditar

Caro Marcelo Guimarães Filho,


Não simpatizo com textos presunçosos que querem ser porta voz de torcida, mas hoje caio na armadilha e digo o seguinte: o torcedor quer acreditar em você.

O torcedor quer acreditar que seus palavrões de resposta em redes sociais não foram um descontrole inadmissível e constrangedor pra quem ocupa a presidência de um clube grande. Ele quer acreditar que foi uma reação inaceitável, mas de um torcedor cuja paixão ainda desconhece limites, e que vai melhorar com o tempo.

O torcedor quer acreditar que a falta de reforços de peso não é por incompetência da diretoria na busca por brasileiros interessantes que pipocam mundo afora, em ligas e com salários menores. O torcedor quer acreditar que todos eles foram procurados e recusaram, e que o senhor não quer povoar o clube com jogadores e técnicos decadentes, nem com jogadores de videogame, que só enchem o Bahia de dívidas e piadas.

O torcedor quer acreditar que não só ele está errado em fazer uma petição pela sua saída, como o do Vitória está errado em criar outra pela sua permanência. Porque embora tenha motivos pra indignação, ele também sabe que o Bahia, graças à história, aos títulos, aos grandes nomes que por lá passaram, e à torcida, é maior que qualquer jogador ou presidente que tenha passado por ou venha a passar por lá.

Mas quem está lá precisa honrar a história, os títulos, os grandes nomes que por lá passaram, e a torcida. E quem está lá não passa confiança ao torcedor, que se sente com razão ao reclamar.

Por outro lado, torcedor não quer razão. Ele a troca por títulos, por brio, pelo orgulho de colocar a camisa e se sentir bem com ela.

O torcedor troca a razão pra ver o Bahia lá em cima, não importa com quem.


Por isso, Marcelo Guimarães Filho, e só por isso, o torcedor quer acreditar. Confessa que não acredita, mas quer acreditar. Que o senhor vê algo que ninguém mais vê, e que vai reerguer o Bahia como o torcedor não espera.

Porque, no fundo, o torcedor só quer ver o Bahia bem, e nisso concordamos. Ou, pelo menos, queremos acreditar que concordamos.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Jogando CM

Na época em que jogava Championship Manager, o contrato que assinava com um jogador incluía a relevância dele, pelo menos na teoria. Dos cinco níveis, o quarto era “importante” e o último era “indispensável ao clube”.

Com base nesse contrato, as duas partes assumiam o nível de cobrança que cada um tinha com outro, e o jogador podia tanto recusar um contrato por causa dessa cláusula, como cobrar mais espaço com base nela.

O Bahia do ano passado tinha seus três principais jogadores em Gabriel, Souza e Lomba. No gol Omar era um ótimo reserva, o que fazia de Gabriel e Souza os únicos indispensáveis “no contrato” e na prática. Hoje, um deles saiu e o outro ganhou sombra de Obina e de Michael Jackson, o que nos leva à pergunta: quem vai liderar o Bahia?

Principalmente na reta final do ano passado, Hélder e Neto foram os nomes. Mas a questão é se eles conseguem evoluir de “importantes” para “indispensáveis” não só pela ausência de melhores, mas pelo futebol que vão jogar.
 
Não dá para tirar conclusões do fraquíssimo jogo contra o Conquista, nem pra concordar que “o time é isso aí”. De potenciais titulares, ali não estavam Toró, Talisca, Adu, Ryder e Souza. Isso pra não falar de Ávine e dos meninos da base (Madson, Railan e Anderson).

Em outras palavras, a pergunta continua. Não importam quantos sejam, o Bahia precisa que alguns jogadores assumam o posto de indispensáveis. Por carência, mas por mérito também. Apostas?