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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Testar e poupar

O Bahia estreia quarta-feira (1º) na Copa Sul-Americana, contra o São Paulo, mas a prioridade deve ser o Campeonato Brasileiro, onde o time pode ter dois caminhos. Ou fica no meio da tabela, acima da 14ª posição do ano passado, ou luta contra o rebaixamento.

Hoje, o time briga para não cair. E precisa saber que a permanência na primeira divisão é mais importante que uma hipotética e muito improvável campanha vitoriosa na copinha da Conmebol.

O departamento médico está cada vez mais cheio, e o time tem cansado rápido. Contra o Corinthians, Zé Roberto pediu para sair, teve que ficar, e um ataque com potencial perigo, já no final do jogo, morreu graças a um cara esgotado. Além dele, Gil Bahia e Ávine mostraram precisar de descanso.

Com isso, o Bahia pode ir com uma base razoável, que mantenha uma unidade que Dorival espera, mas que não prejudique a continuidade do time e dos jogadores em período conturbado de um campeonato com mais quatro meses pela frente.

Mesmo que já esteja 100%, não acho que vale a pena colocar Gabriel desde o início.

Outra vantagem da Sul-Americana é que ele pode fazer testes em pelo menos dois jogos oficiais.

Três zagueiros e alas? Três volantes e dois pontas? Um volante e quatro meias?

É essa a hora de poupar, é essa hora dos testes e das invenções.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O inexplicável do bem

O inexplicável do bem está com o Bahia.

Primeiro, Zé Roberto. Jogou bem contra o Coritiba e foi o melhor em campo contra o Palmeiras, ao lado de Souza. Desonrou o apelido de Zé Boteco, e deixou a torcida do Bahia feliz.

Feliz também foi Magno, no excelente passe para o gol perdido pelo próprio Zé, antes dele se redimir com assistência para Souza. Uma trivela sutil, em um desses momentos que o futebol fica direto, simples e bonito. Sem firulas.

Além deles, tivemos a arbitragem. Não estamos acostumados a essa segurança, especialmente fora de casa e contra um grande. Lance de Fabinho me parece interpretativo, mas como a dúvida tende a favorecer o maior e o mandante, juiz foi corajoso. De resto, Lomba sofreu falta antes do gol de Obina, e o pênalti em Lulinha foi juvenil e inaceitável, mas aconteceu.

Bacana também foi o espírito de equipe. A comemoração de Titi, após o pênalti, soa bonita e sincera. Como aconteceu contra o Coritiba, Souza chama os caras depois de marcar, principalmente no segundo gol.

No final do jogo, Caio Júnior fez os jogadores saudarem os que foram apoiar a equipe. A torcida é o que mais pode incentivar o empenho de gente da idade e do nível de Kléberson, Zé Roberto e Mancini. É inexplicável e do bem.

Lógico que as falhas permanecem, principalmente no posicionamento defensivo, e ninguém pode se ater à sorte e ao resultado para mascarar um problema. Se ele não tiver solução, pode pelo menos ser diminuído, com treinamento e testes.

Que o inexplicável do bem permaneça por aqui, mas que a gente não dependa dele, por favor.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um ontem otimista

É frustrante para qualquer time fazer um 2x0 em casa no início do segundo tempo e ceder o empate, ainda mais na situação do Bahia, mas o jogo de ontem teve lá seus pontos positivos.

Vontade – Em boa parte do primeiro tempo o time marcou em cima do Coritiba, com Kleberson, Mancini, Zé Roberto e Souza na intermediária ofensiva, mesmo sem bola. No final do jogo, não senti falta de sangue no olho como em algumas partidas, e sim de uma pontaria melhor.

Opções – As lesões e as inconstâncias da maioria impedem que a gente diga o time titular do Bahia, o que dificulta a nem sempre necessária definição de reservas, mas ontem as opções funcionaram. Kleberson fez o cruzamento para o gol de Mancini, e dois dos mais questionados jogaram bem. Zé Roberto também deu uma assistência, e Ciro duas em potencial – uma para Diones, e outra espetacular para Souza.

Souza – Perdeu um gol feito, que seria o da vitória e da tranquilidade para Caio Júnior, e sabe disso. Mas foi participativo, iniciou a jogada do segundo gol, marcou o primeiro, e fez questão de juntar equipe em comemoração. Diferente do Souza que dá cotovelada (Botafogo) e piti (Flamengo), se mostrou um cara interessado no bem do Bahia. Só precisa acertar o pé quando na cara do gol.

Lucas Fonseca – Errou um passe perigoso logo no primeiro minuto de jogo, e afrouxou na marcação nos dois gols, especialmente no primeiro. Mas a falta de atenção pode estar ligada também à de ritmo, o que ninguém adquire no banco. Além de um carrinho salvador no primeiro tempo, foi seguro no geral e aumentou qualidade na saída de bola. Pode assumir a vaga de vez, se esperto.

Caio Júnior é bom, mas gosta de invencionices. Para um time em formação, talvez funcionem. Com ou sem elas, boa sorte a ele. E que Gabriel volte logo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sem Falcão, sem ninguém

Depois do texto de Calma, o Bahia perdeu para o Fluminense, 3º colocado e único invicto, e para o Flamengo, quando foi melhor e roubado. Ontem foram oito desfalques, incluindo aí o melhor da equipe, e a manutenção da tabela complicada. Na décima rodada, 70% dos adversários do Bahia estão na metade de cima da classificação.

Sem ouvir coletiva da tarde, acho que Falcão não deveria ter caído, mas acredito ser menos pior se decisão foi realmente conjunta, ou se ideia partiu do próprio técnico. O treinador que acompanha e escala, ele que deve motivar e estar motivado.

Até encontrar alguém interessante, e se ele vier, defendo a permanência de Eduardo Barroca. Salvo engano, ele está no clube desde início de 2011, já cumpriu função com saída de Renê Simões, e conhece os jovens, inclusive os brilharam na Copa São Paulo do ano passado.

Quem joga?
 
Titi e Danny Morais já funcionaram bem, mas hoje apenas se revezam no rendimento. Um falha hoje, o outro amanhã.

No meio e no ataque, o problema não é tanto a falta de opções, mas de um conjunto. Ainda longe do ideal, Kléberson evoluiu, mas Mancini precisa entender que ele faz parte de um grupo. Como equipe, piorar é difícil.

Dudu (92) na zaga, Lenine (91) no meio, Rafael (92) na frente. Não precisam ser titulares, nem jogar na mesma partida, mas são da base e precisam dar as caras. Especialmente quando o departamento médico tem mais gente que o coletivo.

Lomba; Fabinho, Dudu, Titi e Ávine; Diones e Fahel; Kleberson, Magno e Vander; Souza.
Omar; Danny Morais e Gerley; Helder, Ryder e Lulinha; Rafael.

Bora assim contra o Coritiba?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

36x9

O Bahia teve a melhor campanha da primeira fase no Brasileiro de 85, foi campeão em 88, e um dos grandes times da década, que teve no Flamengo o melhor dela. Mas ontem os dois mostraram, cada um à sua maneira, que parte de seus jogadores estão muito aquém do que as instituições merecem.

Pelo time do Rio, a comemoração de Ibson e Renato são constrangedoras, e não adianta dizer que uma comemoração é só uma comemoração, porque elas não se limitaram a isso.

Pode-se discutir cartão de Luiz Antonio que o levou à expulsão, mas não a falta, diferente do absurdo em cima de Ibson. Verdade que Fabinho foi inexplicavelmente atabalhoado e deveria ter pesadelos só pela possibilidade de ter feito um pênalti tão estúpido, mas pior que a simulação de Ibson foi sua vibração efusiva em lance tão desonesto.

O futebol nunca foi um poço de integridade, mas esses níveis apequenam o esporte, como apequena o time a comemoração de Renato.

Mancini puxou sua braçadeira e talvez tenha falado um caminhão de coisas, em atitude  que poderia ser substituída por chutes e passes mais precisos, logicamente. Mas a reação de Renato é típica de quem tem mais mimo que controle emocional, alguém que confunde entrega dentro do campo com ódio ao colega.

“Ah, mas Zidane já deu uma cabeçada em final de Copa do Mundo, Maradona já brincou de UFC”. Quando Renato ou Ibson tiverem o futebol de um dos dois, me avisem que vou querer ambos no Bahia.

O time

Falando nele, o maior problema do ataque foi, principalmente no segundo tempo, a limitação de Gabriel ao lado esquerdo. Defendi mudança da direita, mas prendê-lo no canto oposto é um desperdício equivalente. Apesar de partida pouco feliz, Mancini não se omitiu e pode ajudá-lo se em boa forma. Chilique no fim do jogo à parte, Souza lutou e não tentou o que não sabe, mas faltou aproximação e diálogo. Com volta de Elias, quem sabe?

Atrás, Lomba não fez nenhuma defesa difícil, Hélder fez uma boa partida, mas tivemos o desastre capital dos teoricamente mais seguros, Fabinho e Titi. Para o setor, a necessidade de talento é inversamente proporcional à de concentração, segurança e inteligência. Foi o que faltou aos dois nos momentos, e o que não pode se repetir. Mas aí vem a pergunta óbvia: vai colocar quem?

A base

No site do Bahia, constam 36 jogadores no elenco profissional. São 4 goleiros, 4 laterais, 5 zagueiros, 6 volantes, 9 meias (!) e 8 atacantes (!). Que poderiam formar um time com:

Lomba; Madson, Dudu, Titi e Ávine; Diones, Fahel e Lenine; Vander (Fábio) e Gabriel (Paulinho); Souza (Rafael).

Não defendo essa escalação hoje, que nem possível é, mas não deixa de ser um time ligado ao clube. Lomba, Titi, Diones, Fahel e Souza são titulares há mais de um ano, os outros nove (!) das divisões de base.

Principalmente para a defesa, experiência é importante, mas ela não vem necessariamente com idade, e sim com a prática. Por outro lado, para qualquer setor, especialmente quando não se tem o talento em abundância, o querer jogar tem que sobrepor o desejo de ser vendido e a vontade de voltar à sua terra, quando for o caso.

Para hoje e para o futuro, diretoria e jogadores precisam entender que 59, 88 e a torcida não vieram à toa. 36 é muito, nove da base não.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Calma

Gostaria de saber o que substituiu os neurônios de alguém que pede a cabeça de Falcão.

Com ele o Bahia teve a melhor campanha no Campeonato Baiano, com ele o Bahia foi campeão baiano, com ele acabou um jejum de 11 anos. Já se conseguiu o que era prioridade do ano para o técnico e para a torcida. No Brasileiro o time pena, está na zona de rebaixamento e o mais fácil é sempre culpar o treinador. Só que a culpa não é dele.

Em oito rodadas, o Bahia pegou cinco times que estão na metade de cima da tabela. Atlético-MG (1°), Vasco (3°), São Paulo (4°), Inter (5°) e Botafogo (7°). Nas outras  partidas, Sport (12°), Santos (14°) e Figueirense (15°). Não perdeu para nenhum dos três.

Artilheiro do time no ano, Souza só voltou contra o Botafogo, no último jogo. Ávine ainda não pareceu o jogador que pode ser. Mancini e Kleberson acabaram de chegar. Adversários complicados viram todos eles meia-boca, quando viram.

Sem eles, o time está onde pode estar, brigando para não cair. Oscilando partidas ruins com razoáveis, como as contra Vasco e - principalmente - Inter. Mas com a base que eles podem dar, tem potencial para se salvar bem.