Obs: Texto originalmente publicado no 7 Cronistas Crônicos.
Sábado à noite estava em uma dessas despedidas não oficiais quando uma amiga me disse que eu estava viajando, talvez inconscientemente, para dar sorte.
- Se você ficar em Salvador, o Bahia não vai ser campeão.
Para uns mais e para outros menos, os campeonatos estaduais têm lá sua importância, mesmo no caso de um bi-campeão brasileiro como o Bahia - aka Bahêa. Especialmente quando, nos seus primeiros 76 anos de história, ele jamais tinha ficado seis anos sem título e que, em 2012, completava 11, 11 anos (!) sem conquistar o Baianão.
Essa urucubaca sem precedentes e que não vai se repetir acabou num emblemático 13 de maio de 2012, também um dia das mães, quando eu não estava em Salvador.
No entanto, e na mesma linha de raciocínio, estava na cidade e no estádio na reinauguração da Fonte Nova, o 3x7, e desde então fui outras quatro vezes lá, com três empates e uma derrota. No total, cinco jogos e nenhum triunfo. Na última dessas partidas ganhei o ingresso em cima da hora e avisei a amigo que, ciente do meu currículo, respondeu em mensagem no celular.
- O Bahia vai ser goleado. =/
Anteontem, minutos antes de começar o BaVi, comentei com pai. “Você já viu Talisca? Há tempos não vejo um jogador que pegue tão fácil na bola”. Contava com o álibi de estar longe de Salvador, mas a superstição me lembrou do que acontecia nos tempos em que, criança e adolescente, elogiava alguém do jogo para ele ou meu irmão.
Fosse Ronaldinho ou Ronaldo, Riquelme ou Verón, Zidane ou Messi, Marcelinho Carioca ou Juninho Pernambucano, a conta era certa: um elogio e um erro. Quanto maior a minha entrega na ideia de chamar a atenção para o jogador, mais incrível era a besteira que ele fazia na sequência.
Anteontem, minutos antes de começar o BaVi, senti o arrependimento imediato. Senti que de nada adiantou acreditar na força de minha ausência. “Eu sou um azarado respeitado, um azarado histórico, tenho uma boca abençoada às avessas. Talisca ainda é uma promessa. Não devia ter elogiado ninguém”.
Hoje, quem é do futebol já sabe, o Bahia ganhou de 2x0. Um gol e uma assistência de Talisca.
A exposição do acontecido é um risco gigantesco quando olho para meu currículo e quando sabemos que domingo é o jogo de volta, mas sou um supersticioso que precisa de renovação. Do mesmo jeito que o bar pé quente já mudou de endereço quatro vezes, só em Salvador, a má sorte também muda de casa.
Tive que viajar porque tive que viajar, e falar bem de quem é bom não faz mal. Pelo menos é o que espero não desdizer semana que vem.