O Bahia teve a
melhor campanha da primeira fase no Brasileiro de 85, foi campeão em 88, e um
dos grandes times da década, que teve no Flamengo o melhor dela. Mas ontem os
dois mostraram, cada um à sua maneira, que parte de seus jogadores estão muito aquém
do que as instituições merecem.
Pelo time do Rio, a
comemoração de Ibson e Renato são constrangedoras, e não adianta dizer que uma
comemoração é só uma comemoração, porque elas não se limitaram a isso.
Pode-se discutir cartão
de Luiz Antonio que o levou à expulsão, mas não a falta, diferente do absurdo em
cima de Ibson. Verdade que Fabinho foi inexplicavelmente atabalhoado e deveria
ter pesadelos só pela possibilidade de ter feito um pênalti tão estúpido, mas pior
que a simulação de Ibson foi sua vibração efusiva em lance tão desonesto.
O futebol nunca foi
um poço de integridade, mas esses níveis apequenam o esporte, como apequena o
time a comemoração de Renato.
Mancini puxou sua braçadeira
e talvez tenha falado um caminhão de coisas, em atitude que poderia ser substituída por chutes e passes mais precisos, logicamente. Mas a reação de Renato é típica de
quem tem mais mimo que controle emocional, alguém que confunde entrega dentro
do campo com ódio ao colega.
“Ah, mas Zidane já deu
uma cabeçada em final de Copa do Mundo, Maradona já brincou de UFC”. Quando Renato ou Ibson tiverem o futebol de um dos dois, me
avisem que vou querer ambos no Bahia.
O time
Falando nele, o
maior problema do ataque foi, principalmente no segundo tempo, a limitação de
Gabriel ao lado esquerdo. Defendi mudança da direita, mas prendê-lo no canto oposto é um desperdício equivalente. Apesar de partida pouco
feliz, Mancini não se omitiu e pode ajudá-lo se em boa forma. Chilique no fim
do jogo à parte, Souza lutou e não tentou o que não sabe, mas faltou
aproximação e diálogo. Com volta de Elias, quem sabe?
Atrás, Lomba não fez
nenhuma defesa difícil, Hélder fez uma boa partida, mas tivemos o desastre capital
dos teoricamente mais seguros, Fabinho e Titi. Para o setor, a necessidade de
talento é inversamente proporcional à de concentração, segurança e
inteligência. Foi o que faltou aos dois nos momentos, e o que não pode
se repetir. Mas aí vem a pergunta óbvia: vai colocar quem?
A base
No site do Bahia,
constam 36 jogadores no elenco profissional. São 4 goleiros, 4 laterais, 5
zagueiros, 6 volantes, 9 meias (!) e 8 atacantes (!). Que poderiam formar um
time com:
Lomba; Madson, Dudu,
Titi e Ávine; Diones, Fahel e Lenine; Vander (Fábio) e Gabriel (Paulinho); Souza
(Rafael).
Não defendo essa
escalação hoje, que nem possível é, mas não deixa de ser um time ligado ao clube. Lomba, Titi, Diones, Fahel e Souza são
titulares há mais de um ano, os outros nove (!) das divisões de base.
Principalmente para
a defesa, experiência é importante, mas ela não vem necessariamente com idade,
e sim com a prática. Por outro lado, para qualquer setor, especialmente quando não se tem
o talento em abundância, o querer jogar tem que sobrepor o desejo de ser
vendido e a vontade de voltar à sua terra, quando for o caso.
Para hoje e para o
futuro, diretoria e jogadores precisam entender que 59, 88 e a torcida não vieram
à toa. 36 é muito, nove da base não.
Então, quer dizer que a habilidade e o histórico de vitórias de um jogador autorizam ou minimizam o desvio moral? Renato sempre foi esquentado e isso é lamentável. Mas ontem, na hora do penalti, ele não fez nada demais. Quanto ao pênalti, de fato, você tem razão. Toda essa encenação e "malandragem" me dão nojo. Mas esse é o padrão. Nesse nível mesmo. Infelizmente.
ResponderExcluirNão é só Maradona, Zidane e Renato. Qualquer um pode ter, ocasionalmente, um desvio de moral. É humano. Como é humana a diferença. Com reações e atitudes condenáveis no currículo como a maioria, Maradona foi gigante, Zidane foi gigante, Renato e Mancini sequer chegarão perto disso.
ResponderExcluirEntão, se for para ter um desvio de conduta, o que não é o desejado, que seja alguém que compense.
Tirar a braçadeira, responder jogando de novo e com dedo em riste não são atitudes esportivas. E se não esportivas, apequenam o futebol.
São comuns, porque futebol não é tênis, ainda mais num Brasil cuja elevação da economia (futebolística por tabela) não traz a educação com ela, mas aí é outra questão.
Abraço!
"É uma questão de mentalidade, de educação e de cultura."
ResponderExcluirhttp://blogdonori.blogspot.com.br/2012/07/apito-na-mira-reclamacao-contra-o-nivel.html
Só porque no Brasil é diferente não acho que devemos achar ser o certo.